Thursday, February 2, 2012

QUEREMOS INVESTIR EM PORTUGAL

Algumas são as indústrias que ainda têm potencial de crescimento em Portugal, sobretudo aquelas que estão viradas para a “imagem” e a “tecnologia”. Indústrias que se suportam em empresas geridas por gente jovem e às quais se tem de dar particular atenção. Esses que já olham para um Mundo Global e não só para este cantinho da Europa. Exportam tecnologia, projectos, conceitos e muitas vezes “vão com eles” porque em Portugal não têm, infelizmente, o futuro assegurado.  Além destas áreas, será interessante também saber que 23 a 25% da população portuguesa (sobre) vive no âmbito de outras duas das mais importantes Indústrias dos nossos dias, as da Cultura e do Turismo…isto é, aquelas que nos proporcionam esse Lazer que nos faz afastar da realidade do quotidiano e faz crescer os serviços. No fundo, as que fazem o dinheiro circular em vez de se manter depositado numa banca cada vez mais “agarrada” e que limita o desenvolvimento da nossa economia.
Mas aqui surge mais um problema grave. Vivemos num país em que os nossos governantes desde sempre olharam para a denominação Cultura como algo elitista, que não dá votos. Daí sempre os zero vírgula qualquer coisa que vemos, cada ano, consignados no Orçamento para o Ministério ou a actual Secretaria de Estado da Cultura. Então, como se explica que milhares de pessoas se refugiem no Lazer e na Cultura? Só  se explica o inundar das "baixas" das grandes cidades "noite dentro”, em particular aos fins de semana, por uma movida jovem que "gasta” aí o seu "poupado" dinheiro. É que se não há mais NADA que os afaste da realidade, como poderão os portugueses continuar a aguentar a contínua “informação” de que a recessão está aí? Já sabemos. Estamos fartos de saber no “buraco” em que nos encontramos. Mas, no fundo, é tudo uma questão de Cultura. De formação. De olhar o Mundo de hoje e aplicar uma política cultural, consistente e sustentada na nossa oferta turística e de serviços para o país que somos. Não uma politica cultural elitista. Uma politica cultural construída por “patamares” para, aos poucos, poder chegar a um cada vez mais amplo núcleo da população. Há mais de vinte anos que, por toda a Europa e, porque não dizê-lo, em todo o Primeiro Mundo, as Industrias da Cultura em conjugação com as do Turismo, têm sido solução para a implementação de uma forte Indústria do Lazer que, como disse, vem permitindo um crescimento generalizado do sector de serviços. Apoiando a cultura INVESTE-SE no futuro. Vejam o que Espanha está a fazer, ou a Alemanha, ou o França ou, enfim, quase toda a Europa, apostando nas indústrias do Turismo em ligação com as da Cultura. Se conhecemos e, eventualmente, queremos ir a Cannes, Avignon, ou Salzburgo é porque ali, acontece algo...um festival de cinema, um de teatro ou um de música. Se queremos ir a Bilbao...é porque há ali um novo Museu. Praga, Barcelona, Paris, Londres são cidades monumentais, mas também cheias de cultura e de espaços de lazer, daí, apelativas aos turistas. E os serviços são uma fonte de receitas considerável. Não será tal óbvio?
 É recorrente dizer que a Cultura é uma actividade subsídio – dependente. Direi que sim, se é serviço público. Tem de o ser. É nela que o Estado deve investir para garantir a sua imagem internacional. É a Cultura que tem de ver garantido financiamento do Estado para os seus teatros, museus, fundações, para o restauro e preservação do nosso património. E porque não uma fatia desse “bolo” para os projectos que emergem de privados? Que se crie, de uma vez por todas, uma Lei do Mecenato que, tal como nos Estados Unidos, abra a porta às empresas privadas para poderem, sem receio, apoiar a Cultura. E fica a pergunta: Porque é que às verbas que estas empresas têm de pagar anualmente de IRC, não podem ser deduzidas numa percentagem significativa (ou até totalmente) os investimentos que possam fazer na cultura? Assim, poder-se-ia garantir que os projectos com futuro e de qualidade se continuassem a realizar sem sobressaltos e com pouco ou nenhum investimento estatal. Vivemos tempos difíceis. Não há muitas opções para sair da crise. Podemos ficar a ver tudo ruir como um autêntico "baralho de cartas". Ou "arriscar". Não será seguramente por uns milhares de Euros que o Estado não encaixa que não se irá pagando o défice…Pela minha parte, a solução é não ficar parado. Lutarei por aquilo em que acredito. Esta é a única lógica possível, isto se quisermos que algo mude neste país. No fundo, é tudo mesmo uma questão de CULTURA!
Mário Dorminsky

Monday, January 30, 2012

FÓRUM O FUTURO AGORA

Este fórum é realizado em colaboração com diversas entidades e personalidades de reconhecida qualidade da Ciência e das Artes, num cruzamento com o Cinema, sendo coordenado pela directora do Fantasporto Beatriz Pacheco Pereira. O objectivo é fazer um levantamento das múltiplas visões do Futuro em áreas tais como o Teatro, o Cinema, a Literatura, ou a Arquitectura, no lado das Artes, a Óptica, a Robótica, as Ciências Biomédicas , a Física, a Medicina, a Politica, o Jornalismo, a Web ou os Têxteis, no lado das Ciências. Todas as iniciativas no âmbito deste fórum serão realizadas sob a égide da celebração oficial do 30º aniversário do filme “Blade Runner”, mundialmente considerado um dos melhores filmes da história do cinema, um filme realizado por Ridley Scott, antestreado no Fantasporto 1982 e agora exibido em digital por especial licença dos representantes americanos do filme na sessão de encerramento do Fórum.

Aqui fica o PROGRAMA

20 a 24 de Fevereiro
O FUTURO AGORA. AGORA O FUTURO
Rivoli Teatro Municipal (diversos horários)
Debates, Workshops, Exposições, Demonstrações de Química, Robótica, Palestras, Conferências, Apresentação de livros, Exibição de filmes científicos
Iniciativa da Cinema Novo CRL

CINEMA

SELECÇÃO DE FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Rivoli – Teatro Municipal
20 a 23 Fevereiro (diversos horários)

Exibição dos filmes encomendados às escolas de cinema portuguesas e a produtores independentes de novos filmes dentro do tema “Ficção Científica”. Filmes científicos sobre o tema FUTURO serão complemento das conferências e irão ser exibidos no Pequeno Auditório do Rivoli. Complementará este programa um ciclo de cinema dedicado à ficção científica.

SABER E CIÊNCIA

21 de Fevereiro a 3 de Março
WORKSHOPS E DEMONSTRAÇÕES DE ÓPTICA E ROBÓTICA
Rivoli – Teatro Municipal
(diversos horários)
Haverá ainda demonstrações para o grande público sobre óptica, holografia e investigação óptica feita na Universidade do Porto durante o Fantasporto. Robótica e Investigação Científica serão igualmente motivo para apresentação de novos projectos e workshops.


CONFERÊNCIAS

21 de Fevereiro
CONFERÊNCIAS DO FUTURO I
Rivoli Teatro Municipal
16.30h

Oradores

TEATRO – Dra. Isabel Barros - Directora do Teatro de Marionetas do Porto
DANÇA – Dr. Marcelo Ferreira - Director Artístico da Escola de Dança Ginasiano de Gaia
ARTES PLÁSTICAS- Pintor Augusto Canedo - Pintor, Director Artístico da Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, director da Galeria Por Amor à Arte

CONFERÊNCIAS
21 de Fevereiro
CONFERÊNCIAS DO FUTURO II
Rivoli Teatro Municipal
18.30h

Oradores

ARQUITECTURA E URBANISMO - Professor Arquitecto Jorge Patrício Martins - Professor de Arquitectura e Urbanismo na Escola Superior Artística do Porto.
MÚSICA - Doutor António Florêncio - Professor Universitário da Universidade Portucalense e antigo Director da Orquestra Nacional do Porto.
LITERATURA - Dr. Rogério Ribeiro - Director do "Fórum Fantástico" e da “Conversas Imaginárias” e coordenador da “Antologia de Contos de Ficção Científica- Fantasporto 2012”

CONFERÊNCIAS

22 de Fevereiro
CONFERÊNCIAS DO FUTURO III
Rivoli Teatro Municipal
17.30h

Oradores

PSICOLOGIA - Professora Doutora Isabel Menezes - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
A MULHER - Doutora Ana Maria Braga da Cruz - Antiga Presidente da Comissão para a Igualdade e para os Direitos da Mulher
POLÍTICA - Doutor José Pacheco Pereira - Historiador, político e comentador da SIC  do programa ”A Quadratura do Círculo”.
WEB 3 (ou 4?) - Mário Dorminsky – Vereador da Cultura de V.N.de Gaia
COMUNICAÇÃO SOCIAL – Dr. Jorge Fiel - Jornalista, Subdirector do diário de expansão nacional Jornal de Notícias

CONFERÊNCIAS

23 de Fevereiro
CONFERÊNCIAS DO FUTURO IV
Rivoli Teatro Municipal
16.30h

Oradores

CINEMA - D. Luís Rosales - Crítico de cinema, director da revista Sci-fi World (Espanha) e Dr. Mário Augusto- jornalista e crítico e responsável de programas de cinema da RTP

CONFERÊNCIAS

23 de Fevereiro
CONFERÊNCIAS DO FUTURO V
Rivoli Teatro Municipal
18.00h

CIÊNCIAS BIOMÉDICAS- Professor Doutor João Paulo Teixeira- Departamento de Saúde Ambiental, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Título da apresentação : “O mundo FantasNANO”.
ENGENHARIA/ROBÓTICA- Professor Doutor Eduardo Silva –Director do Departamento de Robótica do Instituto Superior de Engenharia do Porto, Coordenador da Unidade de Robótica do INESCTEC
ÓPTICA E HOLOGRAMAS – Professor Hélder M. Crespo - Professor Assistente do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Porto
TEXTÉIS - Professor Doutora Ana Cristina Freire – Departamento  de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
FÍSICA- Professor Doutor João Lopes dos Santos- Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
CIRURGIA- Dra. Maria do Sameiro Caetano Pereira –Directora do Centro Integrado de Cirurgia de Ambulatório do Hospital Santo António - Centro Hospitalar do Porto

EXPOSIÇÃO

24 Fevereiro
HOLOGRAMAS E TECNOLOGIA ÓPTICA
O FUTURO AGORA. AGORA O FUTURO
Rivoli Teatro Municipal
Inauguração 19.00hs

Evento exposição do Programa elaborado em parceria com o Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com a colaboração do Prof Luís Miguel Bernardo, Director do Museu, e coordenado pelo Prof Helder M. Crespo, Professor Assistente do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Porto. A Exposição pretende demonstrar alguns aspectos da tecnologia óptica desenvolvida no Porto, estabelecendo também uma ponte com o Cinema, nomeadamente pela ilustração de métodos de estereoscopia, os quais estão hoje na base do Cinema 3-D, mas cujos princípios foram já estabelecidos no Séc. XIX.
Haverá ainda Apresentações para o grande público sobre óptica, holografia e investigação óptica feita na Universidade do Porto durante o Fantasporto.

EXPOSIÇÃO

24 Fevereiro
PORTO, FANTASPORTO & BLADE RUNNER
HOLOGRAMA
Rivoli Teatro Municipal
Inauguração 19.00hs

Inauguração de novo Holograma gigante criado pelo Museu de Ciência da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto tendo em conta a Comemoração Especial dos 30 anos do filme “Blade Runner”. Foi criado expressamente para o Fantasporto este elemento novo em tecnologia holográfica, estabelecendo assim uma relação visual forte entre o referido clássico do cinema, o Fantasporto e a Cidade do Porto, holograma que integrará o espólio do Museu de Óptica da UP.

CARNAVAL É NO FANTASPORTO

Se a época carnavalesca é tempo de folia e máscaras, nada melhor do que aproveitar estes dias de férias e diversão para uma visita ao maior festival de cinema português. O Teatro Rivoli vai ser o palco ideal para uma forma alternativa de entretenimento onde os filmes de Ed Wood e o mito de Dracula ocupam o lugar de destaque. A edição 2012 do Fantaporto – Festival Internacional de Cinema do Porto decorre entre os dias 20 de Fevereiro e 4 de Março sendo que este "especial" decorrerá nos dias 20 e 21 de Fevereiro.
Como no Carnaval ninguém leva a mal, o sempre considerado "pior cineasta do mundo", o grande Ed Wood, é alvo de uma homenagem muito especial no Fantas deste ano. “Tão mau que é bom” é a frase que define o trabalho de Edward Davis Wood Jr. Os filmes seleccionados, entre os quais “Plan 9 from Outer Space” ou “Glenn or Glenda” adquiriram desde há muito o estatuto de “cult movies”. A ingenuidade dos seus efeitos especiais, os diálogos surrealistas e o aparente (ou real, mesmo) amadorismo dos seus actores transformam estas obras delirantes em momentos únicos de comédia, capazes de arrancar sonoras gargalhadas aos espectadores.
Em tempo de máscaras, a personagem de “Drácula” ocupa um lugar cimeiro na galeria do terror. Nos 100 anos da morte de Bram Stoker, o Fantasporto não podia deixar de se associar à efeméride recuperando para o grande ecrã a obra prima desse cineasta genial que é Francis Ford Coppola. A exibição de “Bram Stoker’s Dracula” é antecedida pelo clássico do expressionismo alemão que é “Nosferatu” de F. W. Murnau. Duas visões sobre o monstro numa memorável sessão dupla. Se há casos em que a Criatura ultrapassou a obra do seu Criador, Bram Stoker fica para a História por essa inspiração de um personagem maléfico, nocturno, sedento de sangue e, mesmo assim ou apesar disso, imensamente sedutor. Conde Drácula pode ser vagamente inspirado nessa figura lendária dos tempos negros das invasões bárbaras que foi Vlad o Empalador. Mas não só de cinema se vão viver estes primeiros dias do Festival Internacional de Cinema do Porto. Sob o tema escolhido para a edição 32 do festival – O Futuro Agora – inicia-se o ciclo de conferências sobre as visões do futuro nas artes e nas ciências. A primeira conferência abordará as perspectivas de evolução da literatura, dança, teatro, artes plásticas, entre outros.
Aí também tem um Carnaval "diferente".


ANTESTREIAS MUNDIAIS E EUROPEIAS NO FANTASPORTO 2012

O Fantasporto é sempre palco todos os anos de antestreias mundiais e europeias. São sempre muitos os produtores e realizadores que queres estrear o seu filme no Festival Internacional de Cinema do Porto. É uma aposta forte no nosso festival que só reflecte a qualidade pela qual nos regemos há mais de 30 anos. Este ano contamos com uma mão cheia de filmes para apresentar. Desde o novo filme de Mick Garris "Bag of Bones" com Pierce Brosnan à mais recente obra de Artur Serra Araújo, que conhecemos de “Suicídio Encomendado”.
Será assim no Fantasporto que estes novos filmes serão testados perante o público, indústria e júris. A reacção de todos os agentes do meio cinematográfico é fulcral para o sucesso das obras. Veja-se o caso do filme “Rabies” dos israelitas Aharon Keshales e Navot Papushado. Depois da estreia no Fantasporto o filme trilhou uma rota de sucesso pelo resto do Mundo. O Fantasporto continua a receber mensagens de agradecimento destes dois realizadores que já estão a trabalhar no segundo filme, depois do excelente acolhimento que "Rabbies" teve no Fantas.
Com grande orgulho o Fantasporto vai apresnetar em estreia mundial o mais recente filme de Artur Serra Araújo, o realizador de “Suicídio Encomendado”. Manuela é uma sensual delegada de propaganda médica. Vive habituada a trilhar os caminhos da infidelidade, envolvendo-se inconsequentemente com médicos. Suspensa entre o sonho de um grande amor e uma vida de conforto, oscila num limbo entre um homem, que tem ataques de pânico cada vez que se apaixona, e um terrorista romântico que jamais perdoará uma traição.
Num registo mais fantástico está a mais nova produção de Mick Garris – “Bag of Bones”. Prémio Carreira do Fantasporto 2011, e realizador de, entre outros, “Sonâmbulos” baseado em Stephen King”, “A Mosca 2” e das séries TV “Contos Assombrosos” e “Masters of Horror” dirige agora Pierce Brosnam (“GoldenEye”, “007 – Morre Noutro Dia”) na adaptação para cinema de uma mini série de terror, mais uma vez, baseada numa obra de Stephen King.
Destaque, também, para o regresso de Julian Richards à realização. Actualmente director de uma produtora, a Jinga Films, o público do Fantasporto conhece-o de filmes como “Darklands” (Prémio Especial do Júri do Fantasporto 1997) e “The Last Horror Movie” (Prémio do Público Fantasporto 2004). Em estreia mundial, “Shiver” sobre uma jovem secretária com baixa auto-estima que é apanhada por uma assassino selvagem. Contudo, arranja força e coragem para se libertar e fugir. Obcecado com Wendy, o assassino não desiste e consegue furar uma operação policial para recapturar a jovem.
Num registo sobrenatural – “In The Dark Half”. Uma arrepiante história de fantasmas sobre amor, tristeza e redenção. No papel principal está a jovem promessa Jessica Barden com 20 anos e que vimos em Tamara Drewe de Stephen Frears e “Hanna” de Joe Wright.
“A Gentle Rain Falls for Fukushima" é outra das longas metragens em Antestreia Mundial. O projecto começou a ser desenvolvido em 2008. No início de 2011 havia apenas o argumento. Com o terramoto que atingiu Fukushima, o filme foi, inicialmente, suspenso, mas a população local encorajou os produtores e realizador a completarem o trabalho. Parte dos lucros do filme vão ser doados para o Fundo de Ajuda às Vítimas do Terramoto de Tohoku. O Fantasporto vai mostrar ao Mundo esta ambiciosa obra... Ainda diversas curtas metragens serão exibidas no Fantasporto em AE Mundial

Thursday, January 26, 2012

A CULTURA DÁ AS MÃOS AO TURISMO MAS


Apesar de sermos um micro país nesta Europa em que tudo está em ebulição, somos seguramente capazes de o transformar num espaço de forte chamamento turístico/cultural, potenciando assim o nosso crescimento económico. Será das poucas formas, admito, que conseguiremos “abrir uma porta” para contrariar a tão propalada crise, para a já anunciada “recessão” que se avizinha na Europa e, dizem ainda esta semana os responsáveis do FMI, no Mundo.
Só para quem não quer ver, é no Turismo, no Lazer e na Cultura que continua a existir investimento dos privados em Portugal. Sente-se inclusivamente que com pouco, ou até nenhum, esforço do Estado e, muito por influência da entrada nos nossos aeroportos de médias/grandes estruturas de companhias de aviação, ditas “low cost”, nas grandes cidades, sobretudo Lisboa, Funchal, Porto e Faro se faz sentir um crescimento brutal de turistas estrangeiros. A necessidade é fixá-los alguns dias garantindo, sobretudo nesses centros urbanos por excelência as condições necessárias para que “eles” tenham de fazer durante a sua estadia. Sem apoios de qualquer espécie da parte do Estado os investidores com empreendedorismo avançam há alguns poucos anos para a recuperação e restauro dos seus hotéis e para a construção de novos. E muitos são. Na restauração, e isto apesar do brutal aumento do IVA, novos bares vão “nascendo” como de cogumelos ser tratassem. Os restaurantes de luxo vão sendo cada vez mais conquistando também esses turistas que nos visitam com a nossa excelente gastronomia e os nossos excelentes vinhos. Por outro lado os produtores culturais, em contra-corrente vão desenvolvendo uma actividade, cada vez mais ampla, no sentido de poder recuperar o investimento que fazem na realização de concertos, de festivais de diversas valências, da montagem de peças de teatro, sobretudo comédias e musicais. A música erudita enche os espaços a ela destinados, as exposições, garantidas pelas autarquias, pelo Estado nos seus Museus e pelas próprias Galerias de arte, as tertúlias culturais que se desmultiplicam e até as simples apresentações de livros conseguem públicos que aumentaram consideravelmente nos últimos dois anos. Sei que há uma quebra no cinema comercial (no último ano de 800 mil espectadores) mas aí não podemos esquecer a concorrências das televisões e que as novas tecnologias do audiovisual permitem, no conforto do lar, ver os grandes filmes que pouco tempo antes estreiam nas salas. Reparem que toda esta iniciativa parte de privados mesmo numa altura em que o crédito às pequenas e médias empresas está bloqueado isto apesar do Poder Central ter injectado nos bancos consideráveis verbas para garantir “empréstimos” a quem os necessitasse. Esta é uma prova objectiva de que estas valências do turismo / cultura / lazer têm de ter um “empurrão” do Estado para não existir retracção e poderem crescer ainda mais, também no interior do País…até porque somos e continuaremos a ser um autêntico paraíso para que quer e ainda pode fazer turismo.
Tenho consciência que há sectores do mercado em queda total, como é o da construção ou o dos automóveis mas, continua a ser a pequena indústria quem mais sofre. Não pode fazer investimentos, não cria, nem pode manter empregos. É o caso das pequenas empresas da área de serviços que, aos poucos, vão fechando portas quando, sobretudo estas últimas, poderiam ser altamente beneficiadas com o crescimento turístico do país.
Ainda há pouco cheguei de uma capital europeia e nem sequer ouvi falar de “recessão” nem nos jornais, nem na TV. Vi gente. Milhares de pessoas a trabalhar, a fazer compras, a encher restaurantes, a ver teatro, bailado, musicais ou filmes. Vi dinheiro a circular. Vi uma economia “vibrante” que terá seguramente retorno. Por aqui, com os “cortes” directos e indirectos que se fazem continuamente às “carteiras” dos portugueses, a nossa economia está completamente bloqueada.
E volto ao tema desta crónica. Temos um Portugal lindíssimo. Os microclimas que temos geram paisagens bem diversas com um potencial turístico inesgotável. Possuímos um património histórico fabuloso e serviços turísticos de grande qualidade. Somos claramente um país de turismo. Com uma estratégia de marketing bem montada pelo Estado podemos ser, em muito pouco tempo, o tal “paraíso” da Europa. Esta é de momento a única indústria capaz de ir tirando Portugal da crise em que se encontra. 

Mário Dorminsky


Saturday, January 21, 2012

REGIÕES TRANSFRONTEIRIÇAS COMO VEÍCULO PARA A REGIONALIZAÇÃO


A morte de Fraga Iribarne faz-me recordar um dos seus principais papeis na sua prolífera actividade e conceitos políticos que defendeu. A defesa do Norte de Portugal e a sua ligação à Galiza a ele muito se deve. Pelo meu lado há muito que acredito que as zonas transfronteiriças têm de ser geridas com um entendimento claro entre países, melhorando assim consideravelmente as condições de vida de comunidades, que à custa de uma História pejada de conflitos territoriais há muito terminados, trilham percursos separados social e economicamente. Existe assim uma lógica clara na criação do chamado Eixo Atlântico, associação de 34 Municípios do Norte de Portugal e da Galiza que, enquanto estrutura agregadora de experiências funciona igualmente como um lobby das necessidades dos Municípios desta Região Transfronteiriça nas mais diversas valências, inclusivamente na cultura e turismo.
Tenho conhecimento do fulgor que o Eixo Atlântico pode emprestar aos municípios de fronteira. O meu envolvimento com a estrutura da entidade tem sido de imensa colaboração e, sou naturalmente dos que apoiam as soluções transfronteiriças no cenário sócio-económico da União Europeia. Basta recordar o conceito de eurocidade, que funciona entre Chaves e Verin. Ambas as comunidades encontram-se praticamente unidas geograficamente e as questões administrativas são resolvidas em conjunto, como se os dois municípios fossem um só. Claro que se podem levantar sempre algumas questões de soberania, mas nada que a diplomacia e o empenho dos visados não resolvam. Aliás basta conhecer o bem-estar resultante desse entendimento.
Já experimentámos, com sucesso, fórmulas de identidade cultural comuns. A montante, pela capacidade de entendimento em projectos culturais transversais, associando experiências e pessoas do Norte de Portugal e da Galiza. Fazemo-lo com as  Capitais da Cultura do Eixo Atlântico que já tiveram lugar em Gaia e em Viana do Castelo. Os resultados de tal iniciativas, entre algumas outras, foram excelentes, provando que as audiências também procuram artes e espectáculos que não são apenas os “impostos” pelas “ditaduras” das televisões ou das campanhas associadas apenas aos grandes nomes do show-business internacional, normalmente conceptualizadas numa lógica britânica ou norte-americana. Sublinho que nada tenho contra estas últimas estéticas. Mas sinto-me responsável também enquanto produtor cultural, pela prioridade que devemos assumir quando desenvolvemos projectos no sentido do enriquecimento cultural e intelectual daqueles que nos são mais próximos.
E, numa visão mais global e pragmática, com um País, como Portugal, excessivamente centralizado, sou mesmo adepto dos protocolos, acordos e tratados transfronteiriços. Por exemplo, o Norte português tem encontrado objectivos comuns com a Galiza. Objectivos esses congregados no grupo político e de pressão junto das instâncias europeias a que se denominou Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular. E que, em termos práticos, poderá ser uma das soluções objectivas e mais rápidas no que diz respeito à reestruturação de uma série de serviços públicos de primeira necessidade seja nos transportes, nos acessos, na gestão das cidades, nos mercados, nas redes de cultura que podem permitir para além de um importante intercâmbio cultural, descentralizar e manter vivas as nossas tradições junto das populações dessas regiões.
A criação da “expo cidades”, um evento anual reservado à promoção turística das cidades é também ele, um contributo fundamental para divulgar a cultura, as tradições e promover o Turismo de proximidade. Tudo isto acontece longe das crises instaladas. Tudo isto prova que este Eixo é de facto um factor de ligação entre as populações capaz de dinamizar igualmente os serviços e naturalmente a economia. Não será com exemplos como estes que se pode provar que a regionalização dá também os seus frutos?

Mário Dorminsky

Sunday, January 15, 2012

DADOS DO ICEX..

DADOS DO ICEX, o Instituto do Turismo e Comércio de Espanha:
A Indústria do Turismo e do Lazer subiu 7,7 em 2011...parecemos ceguinhos...há anos que esta é e terá de ser a nossa principal Indústria...ou não tivessemos o fantástico país que temos mas...continuamos a espera de politicas para a implementar