Algumas são as indústrias que ainda têm potencial de crescimento em Portugal, sobretudo aquelas que estão viradas para a “imagem” e a “tecnologia”. Indústrias que se suportam em empresas geridas por gente jovem e às quais se tem de dar particular atenção. Esses que já olham para um Mundo Global e não só para este cantinho da Europa. Exportam tecnologia, projectos, conceitos e muitas vezes “vão com eles” porque em Portugal não têm, infelizmente, o futuro assegurado. Além destas áreas, será interessante também saber que 23 a 25% da população portuguesa (sobre) vive no âmbito de outras duas das mais importantes Indústrias dos nossos dias, as da Cultura e do Turismo…isto é, aquelas que nos proporcionam esse Lazer que nos faz afastar da realidade do quotidiano e faz crescer os serviços. No fundo, as que fazem o dinheiro circular em vez de se manter depositado numa banca cada vez mais “agarrada” e que limita o desenvolvimento da nossa economia.
Mas aqui surge mais um problema grave. Vivemos num país em que os nossos governantes desde sempre olharam para a denominação Cultura como algo elitista, que não dá votos. Daí sempre os zero vírgula qualquer coisa que vemos, cada ano, consignados no Orçamento para o Ministério ou a actual Secretaria de Estado da Cultura. Então, como se explica que milhares de pessoas se refugiem no Lazer e na Cultura? Só se explica o inundar das "baixas" das grandes cidades "noite dentro”, em particular aos fins de semana, por uma movida jovem que "gasta” aí o seu "poupado" dinheiro. É que se não há mais NADA que os afaste da realidade, como poderão os portugueses continuar a aguentar a contínua “informação” de que a recessão está aí? Já sabemos. Estamos fartos de saber no “buraco” em que nos encontramos. Mas, no fundo, é tudo uma questão de Cultura. De formação. De olhar o Mundo de hoje e aplicar uma política cultural, consistente e sustentada na nossa oferta turística e de serviços para o país que somos. Não uma politica cultural elitista. Uma politica cultural construída por “patamares” para, aos poucos, poder chegar a um cada vez mais amplo núcleo da população. Há mais de vinte anos que, por toda a Europa e, porque não dizê-lo, em todo o Primeiro Mundo, as Industrias da Cultura em conjugação com as do Turismo, têm sido solução para a implementação de uma forte Indústria do Lazer que, como disse, vem permitindo um crescimento generalizado do sector de serviços. Apoiando a cultura INVESTE-SE no futuro. Vejam o que Espanha está a fazer, ou a Alemanha, ou o França ou, enfim, quase toda a Europa, apostando nas indústrias do Turismo em ligação com as da Cultura. Se conhecemos e, eventualmente, queremos ir a Cannes, Avignon, ou Salzburgo é porque ali, acontece algo...um festival de cinema, um de teatro ou um de música. Se queremos ir a Bilbao...é porque há ali um novo Museu. Praga, Barcelona, Paris, Londres são cidades monumentais, mas também cheias de cultura e de espaços de lazer, daí, apelativas aos turistas. E os serviços são uma fonte de receitas considerável. Não será tal óbvio?
É recorrente dizer que a Cultura é uma actividade subsídio – dependente. Direi que sim, se é serviço público. Tem de o ser. É nela que o Estado deve investir para garantir a sua imagem internacional. É a Cultura que tem de ver garantido financiamento do Estado para os seus teatros, museus, fundações, para o restauro e preservação do nosso património. E porque não uma fatia desse “bolo” para os projectos que emergem de privados? Que se crie, de uma vez por todas, uma Lei do Mecenato que, tal como nos Estados Unidos, abra a porta às empresas privadas para poderem, sem receio, apoiar a Cultura. E fica a pergunta: Porque é que às verbas que estas empresas têm de pagar anualmente de IRC, não podem ser deduzidas numa percentagem significativa (ou até totalmente) os investimentos que possam fazer na cultura? Assim, poder-se-ia garantir que os projectos com futuro e de qualidade se continuassem a realizar sem sobressaltos e com pouco ou nenhum investimento estatal. Vivemos tempos difíceis. Não há muitas opções para sair da crise. Podemos ficar a ver tudo ruir como um autêntico "baralho de cartas". Ou "arriscar". Não será seguramente por uns milhares de Euros que o Estado não encaixa que não se irá pagando o défice…Pela minha parte, a solução é não ficar parado. Lutarei por aquilo em que acredito. Esta é a única lógica possível, isto se quisermos que algo mude neste país. No fundo, é tudo mesmo uma questão de CULTURA!
Mário Dorminsky
Mas aqui surge mais um problema grave. Vivemos num país em que os nossos governantes desde sempre olharam para a denominação Cultura como algo elitista, que não dá votos. Daí sempre os zero vírgula qualquer coisa que vemos, cada ano, consignados no Orçamento para o Ministério ou a actual Secretaria de Estado da Cultura. Então, como se explica que milhares de pessoas se refugiem no Lazer e na Cultura? Só se explica o inundar das "baixas" das grandes cidades "noite dentro”, em particular aos fins de semana, por uma movida jovem que "gasta” aí o seu "poupado" dinheiro. É que se não há mais NADA que os afaste da realidade, como poderão os portugueses continuar a aguentar a contínua “informação” de que a recessão está aí? Já sabemos. Estamos fartos de saber no “buraco” em que nos encontramos. Mas, no fundo, é tudo uma questão de Cultura. De formação. De olhar o Mundo de hoje e aplicar uma política cultural, consistente e sustentada na nossa oferta turística e de serviços para o país que somos. Não uma politica cultural elitista. Uma politica cultural construída por “patamares” para, aos poucos, poder chegar a um cada vez mais amplo núcleo da população. Há mais de vinte anos que, por toda a Europa e, porque não dizê-lo, em todo o Primeiro Mundo, as Industrias da Cultura em conjugação com as do Turismo, têm sido solução para a implementação de uma forte Indústria do Lazer que, como disse, vem permitindo um crescimento generalizado do sector de serviços. Apoiando a cultura INVESTE-SE no futuro. Vejam o que Espanha está a fazer, ou a Alemanha, ou o França ou, enfim, quase toda a Europa, apostando nas indústrias do Turismo em ligação com as da Cultura. Se conhecemos e, eventualmente, queremos ir a Cannes, Avignon, ou Salzburgo é porque ali, acontece algo...um festival de cinema, um de teatro ou um de música. Se queremos ir a Bilbao...é porque há ali um novo Museu. Praga, Barcelona, Paris, Londres são cidades monumentais, mas também cheias de cultura e de espaços de lazer, daí, apelativas aos turistas. E os serviços são uma fonte de receitas considerável. Não será tal óbvio?
É recorrente dizer que a Cultura é uma actividade subsídio – dependente. Direi que sim, se é serviço público. Tem de o ser. É nela que o Estado deve investir para garantir a sua imagem internacional. É a Cultura que tem de ver garantido financiamento do Estado para os seus teatros, museus, fundações, para o restauro e preservação do nosso património. E porque não uma fatia desse “bolo” para os projectos que emergem de privados? Que se crie, de uma vez por todas, uma Lei do Mecenato que, tal como nos Estados Unidos, abra a porta às empresas privadas para poderem, sem receio, apoiar a Cultura. E fica a pergunta: Porque é que às verbas que estas empresas têm de pagar anualmente de IRC, não podem ser deduzidas numa percentagem significativa (ou até totalmente) os investimentos que possam fazer na cultura? Assim, poder-se-ia garantir que os projectos com futuro e de qualidade se continuassem a realizar sem sobressaltos e com pouco ou nenhum investimento estatal. Vivemos tempos difíceis. Não há muitas opções para sair da crise. Podemos ficar a ver tudo ruir como um autêntico "baralho de cartas". Ou "arriscar". Não será seguramente por uns milhares de Euros que o Estado não encaixa que não se irá pagando o défice…Pela minha parte, a solução é não ficar parado. Lutarei por aquilo em que acredito. Esta é a única lógica possível, isto se quisermos que algo mude neste país. No fundo, é tudo mesmo uma questão de CULTURA!
Mário Dorminsky